Archive for the 'os dias...' Category

Tampere!

Friday, February 22nd, 2008

Porque ahetal não postam nada e são uns desnaturados-que-hão-de-querer-voltar-e-ninguém-se-há-de-lembrar-deles, levam aqui com uma posta de um metro e meio.

Pois bem, aqui vai o balanço ao fim de um mês.

Tampere (cuja pronunciação é qualquer coisa como Tâámpêrêe – ver na wikipedia), é a terceira maior cidade da Finlândia, se bem que não seja muito grande – pelo menos eu acho isso; é uma cidade bonita, dado que tem dois lagos ligados por rápidos, que foram usados no séc XVIII como fonte de energia das inúmeras fábricas de tijolo vermelho que se vêm pela cidade – conhecida como a Manchester finlandesa, dado que foi A cidade industrial do país. A mais conhecida é a Finlayson, uma fábrica de tecidos enorme (ler, ENORME) que até tinha um hospital para os empregados. Para que vem de Portugal estranha-se é a zona histórica não ser assim tão histórica – a maioria dos edifícios tem 150-100 anos. A cidade tem uma avenida principal – não, a sério? – que parte da estação dos comboios; a maioria das lojas estão aí e nas transversais – uma delas é a que segue os rápidos. A zona dos lagos é qualquer coisa, principalmente se houver neve e estiver sol. Em termos de temperaturas não está muito mal, acho que o mais baixo que apanhei foi -14º à noite, mas este ano aparentemente ainda não houve inverno a sério; quando cheguei foi quando começou a nevar mais, se bem que durante poucos dias, e era ver os finlandeses todos contentes a dizer que já tinham neve =D. As temperaturas andam por volta dos 0º neste momento – mas deviam estar a -30º. Felizmente já há solinho, porque estando encoberto, a chover e com noite às 4 da tarde diga-se que é bastante deprimente.

Passando ao que interessa, os finlandeses até são boas pessoas, não falam muito, mas se for preciso ajuda para alguma coisa são bastante simpáticos – cá em Tampere, em Helsínquia tracei-lhes uma cruz. Para quem tem a ideia que são tipos muito sérios, pontuais, rigorosos, etc, devia vê-los sexta à noite, quando saem do armário e andam todos bêbados pela cidade. Todos: novos, velhos, rapazes, raparigas, é vê-los a cambalear e a passear garrafas e latas de cerveja/vodka pelas ruas. É proibido andar com bebidas alcoólicas abertas na rua e pode dar multa, por isso muitas vezes vêm-se muitos finlandeses com umas garrafinhas de água * vodka * mineral. Em termos de aspecto são todos um bocado iguais – volta e meia apanha-se o típico nórdico louríssimo, de olhos azuis, 2 metros e pálido.

A noite e as bebidas são caras, e a cerveja não vale nada – vem aos copos de meio litro já cadavérica; o copo é entre 2,5€ e 4, e as entradas em bares/bengaleiros ficam por volta de 5, por isso é bastante comum apanhar-se o embalo em casa. Os autocarros para voltar custam 3,05 €, o que tudo somado ainda dá uma bela quantia. Contudo!, o ambiente é bastante porreiro, apanha-se sempre pessoal conhecido e há uns bares e uns pubs jeitosinhos. Dado que estamos na terra dos metaleiros, a música é bastante melhor que em Portugal.

A universidade fica em Hervanta, arredores de Tampere, um sítio calminho que basicamente tem a universidade, o Duo – o Glicínias cá da zona -, meia dúzia de lojas e as bombas de gasolina. A universidade tem muito bom aspecto (mais no interior, diga-se), e o meu departamento é o Tietotalo – edifício da informação – que é o que tem um ar mais jeitosinho e a melhor cantina. A parte a que só nós – estudantes de tecnologias de informação – temos acesso lembra-me o DeCA – corredores, paredes em madeira, cartazes por todo o lado, pessoal que parece não regular muito bem a passar, pessoas nas salas com os portáteis e até cheira ao mesmo LOL.

As cantinas são mais restaurantes self service, onde se espera no máximo 5 minutos –eheheee – se bem que só se possa levar o prato principal e as saladas – 2,15€. Os finlandeses são uma raça estranha, em termos de comida: usam molhos para tudo – saladas, arroz, carne – e têm o pior arroz que comi até hoje; não tem sal, e mesmo que lho ponha tem sempre um sabor esquisito. Peixe, só salmão, arenque e sardinhas. O nosso bacalhau aparentemente pode vir da Noruega, mas nem lá nem cá o comem. =D. São os reis da comida pré-preparada: grande parte dos supermercados são secções de comida pré feita/doces que fariam qualquer cardiologista panicar. Até a mim me mete impressão (e eu sou estudante X-)

Agora a parte que não interessa a ninguém (e que vocês iam jurar que começou há muitas linhas atrás): somos uma carrada de erasmus, cerca de mil (!!!), embora sejamos só 4 portugueses na TUT. Para compensar, os espanhóis emigraram todos para cá. Há pessoas de 40 países, e de sítios tão próximos como o México e o Japão. Conhece-se pessoal de todo o lado, e, claro, as festas andam sempre aí. As principais costumam ser à quinta, sexta e sábado, se bem que durante a semana haja sempre qualquer coisa, nem que seja aqui nas residências – que são uns modestos quatro blocos de 12 andares com cerca de 12 apartamentos em cada, com dois ou três quartos. É só fazer as contas =). Em termos universitários estou no paraíso da programação e das redes – no qual se inclui fazer um programa em FORTRAN, aquela linguagem de programação que se usa diariamente no Flash -, mas espero safar-me. Afinal, quem quer quer vir para a Finlândia à força toda habilita-se. =)

Para acabar, fica aqui um link para uma competição de um desporto estranho que cá houve - e onde podem ver os finlandeses “trajados”.

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