Archive for February, 2007

Carnaval no Rio de Janeiro

Wednesday, February 28th, 2007

Interrompemos a emissão da série “Vamos andando e Vamos vendo” para transmitir um comunicado importante:

Como os mais atentos deverão ter reparado, na passada semana a emissão da série “Vamos andando e vamos vendo” foi bruscamente interrompida. Prende-se este acontecimento com o facto de a data referida ser período de festividades na cidade em que nos encontramos.

O nosso primeiro Carnaval no Rio de Janeiro foi bastante peculiar. Os dias de Carnaval foram passados maioritariamente na praia, posto 9, debaixo de um sol intenso e por vezes até desagradável, entre chapéus, cadeiras de praia e gente de bikini. Só suportados com a ajuda do alívio de um banho no turbulento mar de Ipanema, cheio de grandes ondas prontas a arrastar qualquer banhista ousado. No entretanto podíamos ainda acompanhar vários de entre dezenas de blocos ou então ficar pela praia ao som da música electrónica de uma das várias barracas.

E entre praia, mar, muito sol, blocos, festas nocturnas na praia, cachaça e cerveja para os que apreciam, se passaram os nossos dias de Carnaval. Quarta-feira de cinzas vários foram os que me perguntaram como tinha sido o desfile no sambódromo. Ao que eu apenas podia responder que, para mim, não tinha sido muito diferente dos anos anteriores, ou seja, visto pela TV. Quase que fui ofendido. Mas porquê pergunto? o Carnaval ainda nem havia acabado. O verdadeiro Carnaval ainda estava para vir. Foi com esse espírito que recuperámos (do excesso de sol) para o fim de semana, que se previa grandioso, ao som de uma agradável variada banda sonora.
Sexta-feira: Lapa, agitação nocturna e ponto de convergência para as mais variadas tribos musicais.

Sábado: Desfile das campeãs no Sambódromo. Sim. Estivemos lá. Vimos desfilar as melhores escolas, os melhores carros, as melhores fantasias e os melhores sambistas ao som dos melhores enredos. E temos fotos:

tugas no sambafantasia jorgefantasia victorfantasia alex

É verdade que ficámos numa das piores bancadas. Também é verdade que pagámos apenas 8€ no contrabando para entrar, e não os 50€ que pagaríamos noutra arquibancada. É ainda verdade que a bancada mais barata é também a bancada popular, ou seja, as pessoas que nos rodeavam nos trataram muito bem e, para além das fantasias que nos emprestaram ainda nos ofereciam comida e bebida, tudo pelo custo de um sorriso. Acima de tudo, é verdade que estivemos lá e foi memorável. No meio de tanto samba, o enredo da Mangueira (audio) era inspirado na língua portuguesa:

(…)
“vem no vira da mangueira vem sambar
meu idioma tem o dom de transformar bis
faz do palácio do samba uma casa portuguesa
é uma casa portuguesa com certeza”
(…)

Como já tínhamos assistido ao ensaio da bateria, já conhecíamos este samba-enredo, mas no desfile, com toda a grandiosidade, arrisco-me a afirmar (e agora o trocadilho brejeiro) que esta foi sem dúvida a melhor festa da Mangueira em que já estive.
Depois de um longo, animado e colorido desfile, cheio de samba, som, festa e mulheres semi-despidas, a festa tinha que acabar e acabou em grande. Lá regressámos a casa, sabendo que no dia seguinte, Domingo, às 9h saía um dos melhores blocos de Carnaval do Rio.

Domingo, depois de dormir apenas cerca de 3 horas, 9h30 da manhã, Copacabana, Monobloco na rua, seguido por milhares de pessoas. O calor era tanto. Insuportável. A solução foi o mergulho rápido no sobre-populado poluído mar de Copa. Quando nos voltámos a juntar ao bloco ainda ouvimos a música final, a mais conhecida e a que mais se adequa à nossa situação:

(…)
Moro…
Num país tropical,
Abençoado por Deus
E bonito por natureza (Mas que beleza!)

Em fevereiro (Em fevereiro)
Tem carnaval (Tem carnaval)
Eu tenho um fusca e um violão,
Sou Flamengo e tenho uma nêga chamada Tereza”
(…)
Veja e oiçam Jorge Ben Jor cantado e tocado por Monobloco.

Ora, se “sou Flamengo” não podíamos deixar de ir ao derby no Maracanã, no mesmo dia. Foi almoçar muito rapidamente, mergulho na piscina e directos para o Maracanã.

Vasco-Flamengo. Jogo considerado de risco, devido ao fanatismo dos adeptos. Flamengo vence o Vasco nos penaltys, ainda temos a oportunidade de ver Romário em campo, e estes portugueses abandonam o estádio no momento do penalty que dá a vitória ao Flamengo, tentando evitar confusões de maior e, entre uma ou outra correria, umas bombinhas de Carnaval e um ou outro petardo, lá abandonámos o Maraca e fomos em direcção ao rodízio de pizzas mais próximo, mesmo não tendo reais suficientes para pagar a despesa. À medida que enchíamos o estômago a fome é substituída progressivamente pelo sono, intenso, debilitante até.

E para não dizerem que andamos a “zoar” com aqueles que estão no frio, digo-vos que nem tudo foi fácil, depois desta semana intensa, em que o nosso pequeno T2 chegou a servir de abrigo a 8 portugueses, o resultado não podia ser muito agradável. E por isso, acabada toda a folia, no regresso a casa deparámo-nos com um apartamento bastante inabitável, toda a loiça inutilizada e a dar início à formação de um novo mini-ecossistema. Foram portanto de arrumações os últimos tempos. Não está fácil.

E agora se me dão licença, vou ter que vos abandonar e tomar um banho, que isto nem em tronco nu e com o ar condicionado ligado se consegue arrefecer o corpo.

tugas no Samba

Fantasia tugas

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